Carnaval de Lazarim





O Entrudo de Lazarim, de origens longínquas, é considerado um dos mais genuínos pela autenticidade das suas máscaras, pelos seus trajes elaborados com elementos da Natureza, pela desafronta entre o grupo de rapazes e raparigas solteiros que compõem quadras satíricas de crítica social e, pela confeção da feijoada e do caldo de farinha que podem ser degustados na terça-feira gorda. Esta celebração, é precedida por semanas de muito trabalho por parte dos artesãos, que procuram elaborar as suas máscaras com o maior rigor e originalidade possível, todas feitas em madeira de Amieiro. Os caretos fazem-se acompanhar, muitas vezes, por ferramentas agrícolas, como por exemplo sachos, ou até mesmo um cajado, ligados ao meio rural, remetendo desta forma, para a conexão que o mesmo tem com as tradições com máscara. A serapilheira é dos tecidos mais utilizados na elaboração dos trajes dos Caretos de Lazarim, onde estão presentes diferentes elementos da Natureza, como entrançados de palha, lã ainda por fiar, espigas do milho, folhas do milho, vides da videira, folhas de Eucalipto, entre outros. Por outro lado, rapazes e raparigas solteiros, de Lazarim, preparam sigilosamente as quadras satíricas de crítica social que darão origem aos testamentos do “burro” e da “burra”, trazidos a público no dia de Entrudo. As quadras dizem sempre respeito ao ciclo agrário que encerra, para dar lugar um novo ciclo, onde são transcritas brejeiras de cariz sarcástico, abordando temas, acontecimentos ou defeitos, relacionados com o grupo oposto.